Como o SeasonMap calcula o conforto climático
Toda nota do SeasonMap é um número só, de 0 a 100, que responde a uma pergunta: quão bom é estar neste lugar, neste mês, para este tipo de viagem? Veja exatamente como ela é construída.
Última atualização: 2026-09-11.
1. Oito fatores climáticos
Para cada destino e mês, partimos de normais climáticas mensais de longo prazo e damos uma nota de 0 a 100 a oito fatores: temperatura (usando a máxima aparente, a “sensação térmica”, quando disponível), umidade, chuva, sol, luz do dia, vento, neve e qualidade do ar (média do US AQI). Cada fator se adapta quando falta informação — se uma métrica não existe para um lugar, ela entra com uma nota neutra em vez de quebrar o resultado.
2. Pesos por estilo de viagem
Os fatores são combinados numa média ponderada, e os pesos — além da faixa de temperatura ideal — mudam conforme o seu estilo de viagem. Uma viagem de praia valoriza calor, sol e pouca chuva; passeios na cidade preferem temperaturas amenas; trilhas recompensam tempo firme, seco e temperado; inverno / neve inverte a penalidade habitual pelo frio, e neve garantida passa a contar a favor. Você também pode ajustar os pesos e a faixa ideal do seu jeito.
3. Uma penalidade de viabilidade para extremos de verdade
Uma média ponderada simples pode ser enganada — um deserto seco e ensolarado a 42 °C “diluiria” o calor na média. Por isso, um fator de viabilidade derruba a nota com força quando as condições são de fato insuportáveis (calor castigante, frio extremo), para que um lugar não pareça agradável no papel quando não é na prática.
4. Sazonalidade — este mês contra os outros onze
O conforto de um mês também é comparado com os outros onze meses do próprio destino, e a nota final é uma combinação que leva em conta a variação: lugares agradáveis o ano todo quase não usam a sazonalidade, enquanto lugares muito sazonais se apoiam nela. É por isso que cada destino tem um melhor e um pior mês bem definidos, e não uma linha reta.
5. Tiers
A nota final de 0 a 100 vira um tier com letra, para bater o olho — S e A são excelentes, B/C vão de razoáveis a mistos, e D/F marcam meses a evitar.
De onde vêm os números
Cada lugar tem doze normais mensais construídas a partir dos últimos dez anos (2016–2025) de dados diários — recentes o bastante para refletir o clima como ele é hoje, longos o bastante para diluir um ano atípico. Dois tipos de fonte entram nelas:
- Reanálise de modelos meteorológicos para todos os lugares e todas as variáveis: ERA5 e ERA5-Land, do Copernicus Climate Change Service (ECMWF), lidos pelo Open-Meteo com ajuste de altitude pelo Copernicus DEM. A temperatura do mar vem do componente oceânico do ERA5; a qualidade do ar é a média mensal do US Air Quality Index da reanálise global do CAMS.
- Estações meteorológicas para corrigir o modelo onde existe um instrumento de verdade: registros diários do GHCN-Daily da NOAA (redes nacionais e cooperativas com controle de qualidade) e do Global Summary of the Day (o fluxo sinótico, para ponto de orvalho e vento). Em cerca de três de cada quatro lugares há uma estação a menos de 30 km e em altitude parecida; o registro de dez anos dela é comparado com o modelo no ponto exato da estação, e essa diferença — o viés do modelo, não o microclima da estação — é aplicada ao lugar. As correções de chuva usam apenas pluviômetros reais, as temperaturas são ajustadas pela altitude com o gradiente térmico padrão, e toda correção tem limite, para que um instrumento estranho não distorça um lugar.
Por que se dar ao trabalho? Os modelos de reanálise achatam o dia: comparado com 1.011 estações, o ERA5 marcava 1,6 °C a menos nas máximas diárias (2,4 °C em ilhas) e contava cerca de três dias de chuva a mais por mês. Depois da correção, o erro residual é de 0,1 °C. Lugares quentes pareciam mais confortáveis do que são; agora a máxima de agosto em Yazd marca 39,5 °C, como dizem as normais iranianas, e não 35,9.
Contém informações modificadas do Copernicus Climate Change Service e do Copernicus Atmosphere Monitoring Service (2026). Dados de estações cedidos pelos National Centers for Environmental Information da NOAA. Nenhum deles endossa este produto.
Em que os pesos se baseiam
Os pesos por estilo de viagem e as temperaturas ideais não são chutes; cada estilo é calibrado com pesquisas publicadas sobre o que as pessoas realmente acham confortável:
- Passeios na cidade — o Holiday Climate Index para turismo urbano (Scott, Rutty, Amelung & Tang, Atmosphere 2016): conforto térmico 40%, chuva 30, nuvens 20, vento 10, ideal de 23–26 °C.
- Praia — HCI:Beach (Rutty et al., Atmosphere 2020): as condições do céu pesam mais que a temperatura, o ideal é mais quente, e a vontade de nadar vem de guias de conforto da temperatura do mar (20–26 °C).
- Inverno / neve — o Ski Climate Index (Demiroglu et al., Int. J. Biometeorology 2021): neve garantida em primeiro lugar, dias confortáveis entre −7 e 2 °C, e vento forte estraga o dia.
- Corrida — fisiologia da maratona (Ely et al. 2007; El Helou et al. 2012, 1,8 milhão de concluintes): o desempenho chega ao auge por volta de 10–12 °C e cai com calor e umidade.
- Trilhas — pesquisas de preferência de trilheiros (Martínez-Ibarra & Pardo): 15–19 °C, sem chuva, pouco vento, vista limpa.
- O Tourism Climate Index original (Mieczkowski 1985) confirma o equilíbrio geral entre conforto diurno, sol, chuva e vento.
Limitações
- São normais, não uma previsão — descrevem um mês típico, não o tempo nas suas datas. Qualquer ano pode ser diferente.
- Uma média mensal esconde os dias. Um lugar com média de 24 °C pode ter 18 °C na terça e 31 °C na sexta; ainda não damos nota a essa variação.
- Lugares sem uma estação por perto — muitas estações de montanha, bases de trekking e parques — dependem só do modelo. A neve é a métrica menos confiável em todo lugar; trate as notas de neve como uma indicação de tendência.
- A nota de conforto é opinativa por natureza — e é exatamente por isso que os pesos ficam nas suas mãos.